Prefeitura cancela o Carnaval e diz que verba vai para combate à dengue

A CIDADE

Pelo terceiro ano consecutivo Ribeirão Preto não vai ter Carnaval de rua. A prefeitura anunciou oficialmente nesta sexta-feira (15) o cancelamento de qualquer verba para os desfiles.

Em 2014 e 2015, o poder público chegou a repassar verba para as escolas montarem estruturas de bailes nas comunidades.

“Ainda vamos informar as escolas sobre a decisão”, disse Alessandro Maraca, secretário municipal da Cultura.

A prefeita Dárcy Vera (PSD) culpou a crise que assola o país e até mesmo a dengue pelo corte do repasse.

“Estamos em crise financeira, com uma queda de arrecadação de quase 22% no FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e atrasos nos repasses dos governos estadual desde março do ano passado na Saúde. Estamos com pacientes em número elevado nas unidades por conta da epidemia de dengue e precisaremos redirecionar mais verbas para isso”, disse.

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Dengue faz estoque de sangue atingir nível crítico no Hemocentro de Ribeirão

Reserva está praticamente zerada, porque pacientes com dengue não podem doar um mês após a doença

10/05/2013 – 23:34

Jornal A Cidade – Mariana Lucera

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Joyce Cury / A Cidade

Estoque de sangue do Hemocentro está perto do fim (Foto: Joyce Cury / A Cidade)

O estoque do banco de sangue do Hemocentro de Ribeirão Preto atingiu níveis críticos esta semana. Nesta sexta-feira (10), no período da tarde, o local contava apenas com duas bolsas de sangue O- e apenas três do tipo A- , os mais comuns.

A gerente de comunicação social do Hemocentro, Miriam Mendes Castanheira, explica que o grande número de casos de pessoas com dengue em Ribeirão Preto e região, além do tempo frio, afastaram os doadores e, com isso, reduziram o volume de sangue em estoque.

“Tivemos ontem [quinta-feira, dia 9] pessoas que vieram doar, mas o sangue não pôde ser colhido porque eram pessoas com dengue. A doença deixa o doador inapto para doações por um mês, depois de ter se recuperado da doença”, explica Miriam.

Para se ter uma ideia de quão crítica está a situação, são necessárias 65 bolsas, no mínimo, para o estoque do sangue O-. Já para o tipo A- são precisas 45 bolsas, no mínimo. O O+, por sua vez, contava com 100 bolsas, quando o ideal seriam 350, pelo menos, no estoque.

“Nossa necessidade é muito grande. Por exemplo, se chegar um fígado para ser transplantado no Hospital das Clínicas é preciso ter, no mínimo, 50 bolsas de sangue do tipo do paciente para fazer a cirurgia”, explica a assessora do HC.

O problema da falta de sangue pode levar, inclusive, ao adiamento de cirurgias eletivas, feitas diariamente no Hospital das Clínicas.

“Além do sangue para cirurgias, existem pacientes que dependem mensalmente de transfusões, por conta de doenças genéticas como talassemia e anemia falciforme”, explica Miriam.

O Hemocentro está fazendo um apelo para conscientizar a população da importância da doação e pede que quem estiver em condições vá até o local.

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Epidemia de dengue atinge sete cidades na região de Ribeirão Preto

FOLHA DE SP

A epidemia de dengue já atinge ao menos sete cidades da região de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) neste ano. Pitangueiras, Morro Agudo, Colômbia e Guaíra se unem a Barretos, Miguelópolis e Ituverava, onde já havia quadro epidêmico.

A situação é considerada epidemia quando o número de casos supera a média de 300 para cem mil habitantes.

O caso mais crítico é o de Barretos, com 1.183 doentes confirmados. É a maior epidemia em pelo menos cinco anos na cidade.

A predominância do vírus tipo 4 da dengue neste ano contribui para essa disseminação, segundo o consultor da OMS (Organização Mundial da Saúde) em dengue, Ivo Castelo Branco Coelho.Em comum, os sete municípios estão geograficamente próximos, formando um “corredor” da doença na região.

“O vírus tipo 4 é o que circula no Brasil atualmente e as pessoas estão mais suscetíveis a esse sorotipo. A chance de disseminação da doença entre cidades próximas é muito grande”, afirma.

O novo sorotipo da dengue –são quatro– entrou em circulação no país há cerca de dois anos, encontrando uma população suscetível que já teve outras variantes da doença em anos anteriores.

MAIS GRAVE

Com esse quadro, somado à situação de epidemia das cidades da região, a possibilidade é que formas mais graves da dengue ocorram com mais frequência em relação a anos anteriores, de acordo com Coelho.

“Evoluções para dengue hemorrágica, por exemplo, são mais prováveis”, diz.

Em Barretos, a prefeitura aguarda o resultado do exame de um homem de 34 anos que supostamente morreu em decorrência de dengue hemorrágica.

A administração também contratou 25 novos agentes após a confirmação de epidemia da doença.

AÇÕES

Morro Agudo, com 170 casos confirmados de dengue, também abriu concurso para contratar mais 25 agentes, segundo o secretário da Saúde Luiz Roberto Sacoman.

Em Colômbia, a última epidemia antes da atual havia ocorrido em 2004, segundo o secretário da Saúde do município, Adilei Storti.

A situação é preocupante, diz ele, em razão do fluxo de pessoas para cidades da região onde há mais casos de dengue, como Barretos.

“Apesar de não termos muitos casos importados de dengue, o mosquito está em quase todas as cidades.”

Além de nebulizações e mutirões de limpeza, as prefeituras de Pitangueiras e Guaíra dizem ter adotado medidas educativas de orientação para a população.

Procuradas pela Folha, as prefeituras de Ituverava e Miguelópolis não comentaram os números da dengue.

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